Um dia disseram-me que dois meses não era
nada, dois meses eram só ensinamentos para quem tem apenas 15 anos, para quem
tem a vida inteira pela frente e eu não quis escutar, afinal, quando se está
apaixonado e sofrendo por amor dificilmente escutamos os conselhos de alguém,
por mais que as pessoas estejam certas.
Disseram-me várias coisas, e eu vi várias
coisas, mas para quem estava apaixonada, foram os melhores dois meses da vida
de uma mera adolescente, aqueles dois meses do primeiro namoro aceito pelos
seus pais e todas essas histórias. Dizer que não foi verdadeiro pelo menos da
minha parte, vai ser mentira e por isso esses ‘dois meses’ foram tão especiais
e difíceis de esquecer.
Pobre de mim. Coitada de mim. Tão inocente.
Tão ingênua.
Que bom que o tempo passou e me ensinou que
dois meses não são absolutamente nada, além de aprendizados, como todos me
disseram um dia e eu não quis escutar, estava surda de paixão e de esperanças.
Ah, as esperanças, às vezes tão cruéis, às vezes tão importantes.
Aprendi que o que nós tivemos foi só uma
passagem na vida de nós dois, coisa passageira, coisa de adolescente. Tudo isso
passou, ainda sinto tua falta, nossa e como sinto. Mas a partir de hoje, decidi
que não vou mais sentir sua falta – tenho recaídas de saudade ainda que acabam
comigo. Mas vai passar como tudo
passa e como tudo sempre passará.
Decidi que não importa a quantidade de meses,
o que já terminou tem que ter um ponto final, sempre. E não apenas reticencias
– como na maioria dos meus textos, que nos finais sempre esperavam a tua volta.
Espero não ter mais recaídas de saudade, pois afinal, dois meses não podem
deixar tantas marcas assim e essa “experiência” já acabou faz tempo pra você.
Só faltava eu, para cair realmente na real.
Portanto, hoje, deixo para trás aqueles dois
meses e sigo minha vida, até encontrar outros dois meses – que espero durar
mais de dois meses – espero ser tão feliz quanto e eu sei que eu posso, e eu
for embora e deixar isso tudo para trás.
Adeus dois meses!

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